Revisitando A Ameaça Fantasma

Star Wars day chegou (May 4th) e, como muitos fãs de Star Wars, decidi revisitar os filmes dessa franquia icônica. Com a correria do trabalho e da vida, só consegui assistir aos Episódios I e III (o Episódio III merece uma análise retrô só dele, aliás).

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Fazer a graduação de Cinema me levou a ter um certo receio de rever meus filmes favoritos, com medo de que experiência fosse alterada por causa do novo olhar. Por isso fiquei um bom tempo longe da trilogia clássica e prequels assistindo só o conteúdo mais recente de Star Wars. Já passava da hora de assistir de novo.

Entendendo agora a complexidade da indústria cinematográfica e sua interseção com a tecnologia, posso dizer com confiança: gostando ou não, entendendo ou não, Star Wars é uma das, senão a , franquias mais importantes da história do cinema. George Lucas pode não ser visto como um grande diretor, mas é inegavelmente um visionário que impulsionou mudanças profundas e essenciais na forma como filmes são feitos. Ele é, sem dúvidas, um dos maiores cineastas de todos os tempos. Eu diria até que o cinema como conhecemos hoje não existiria sem ele. É só assistir à excelente série documental Light & Magic, no Disney+, e você vai entender o que eu quero dizer.


Antes de falar do filme, preciso deixar uma nota pessoal: A Ameaça Fantasma foi o primeiro filme que vi no cinema. Meu pai, assim como o pai dele, me levou para conhecer a galáxia muito, muito distante. Também lembro vividamente de assistir à fita VHS com ele e meu tio. Essa nostalgia é um fator importante em qualquer análise retrospectiva. E só pra deixar claro: sou defensor da experiência cinematográfica. Me importo menos com atuação ou diálogos e mais com a pergunta: isso te entreteu ou não? Se te emocionou, te fez sentir algo ou te fez pensar — melhor ainda.

Tudo isso passava pela minha cabeça enquanto eu montava o projetor no quarto e dava o play. STAR WARS apareceu na tela e a trilha icônica de John Williams começou. Já fazia tempo.


O Primeiro Ato

O primeiro ato começa com força. Dá pra imaginar a empolgação de quem só conhecia a trilogia original ao ver Obi-Wan de novo. O filme faz um ótimo trabalho ao mostrar o poder dos Jedi e ao introduzir uma trama política complexa.

Nunca tive problema com as atrapalhadas de Jar Jar. As cenas da cidade Gungan passaram mais rápido do que eu lembrava, embora a travessia até o palácio tenha sido meio arrastada. Mas tudo bem, porque ali se estabelece um tema importante: sempre há um peixe maior — sempre uma ameaça maior. Também dá um pouco de contexto pro Jar Jar e solta uma frase sobre a Força ser uma guia. Ah, e o Qui-Gon é simplesmente ótimo.

As coisas voltam a acelerar com a fuga de Naboo, a introdução do R2-D2 e nosso retorno a Tatooine. Imagina ver isso depois de conhecer só a trilogia clássica — rever o R2, voltar a Tatooine — e aí conhecer o Anakin Skywalker: um garoto gentil, generoso, que ajuda completos estranhos. Algumas falas sobre a Força aqui e ali, e o C3PO, legal!

Algumas opiniões

Acho que o Darth Sidious é apresentado muito cedo. Seria mais interessante deixar o Maul como uma figura agindo por ele, tipo como o Vader era. A cena em que Maul conversa com Sidious poderia ter sido a primeira vez que o vemos, fazendo o Sidious ainda mais misterioso.

Também não tenho problemas com a ideia dos midichlorians. Não é tão complicado , mas aqui, o conceito não tem impacto visível. Entendemos que Anakin é especial, até concebido de forma miraculosa. Isso se conecta com a profecia que é explicada depois. Outro ponto importante: a República está longe de ser perfeita — assim como o Império. Nas regiões periféricas, há pobreza, falta de leis e abandono. Anakin é um escravo! O deserto seco de Tatooine vira metáfora pra escassez e desesperança.

Podracing e a Força

Aí vem a corrida de pods — como o Anakin construiu aquele pod? Ele roubou as peças da loja do Watto, certo? E a Força não tá guiando a gente? Qui-Gon, você tá trapaceando? Corrida! Essa sequência é um dos destaques do filme. Os efeitos visuais, o CGI, a ILM — tudo excelente. Mas aqui tem uma oportunidade perdida: não vemos como a Força realmente ajuda o Anakin. Ele deveria “ver as coisas antes de acontecerem”, mas isso nunca é mostrado de verdade.

Vou pegar emprestada uma ideia ótima do pessoal do podcast In Review: quando o motor do podracer do Anakin se desconecta, imagina se ele levantasse a mão, ouvisse a voz do Qui-Gon dizendo “Use a Força, deixe-a fluir”, o tema da Força tocasse, e ele reconectasse o motor usando a Força. Quão incrível isso seria.

Política e os Jedi

A corrida acaba. O garoto está livre. Anakin vai deixar a mãe para trás, o que cria um conflito interno: ele quer aventura, mas parte dele quer ficar com a mãe. Depois temos o primeiro confronto com o Maul, um gosto do que está por vir.

No segundo ato, mergulhamos na política. O senador Palpatine sussurra sobre o fracasso da República e a necessidade de um novo Chanceler mais forte. Imagina a empolgação dos fãs ao ver o Palpatine de novo! (Vale lembrar: o nome dele nunca é dito na trilogia clássica, só nas novelizações.)

Temos referências ao Antilles, Alderaan, e os Jedi — no auge… ou assim pensávamos. Estão cheios de arrogância e relutantes em aceitar o Anakin. Mas o Qui-Gon vai treinar o garoto mesmo contra a decisão do conselho. Yoda aparece. E eles ainda não acreditam que era um Lorde Sith. Já foram extintos, segundo eles.

Batalha Final

O ato final começa. A Rainha Amidala revela que estava disfarçada, e seu plano de se aliar aos Gungans é ousado e estratégico. O plano: os Gungans enfrentam o exército de droides; a Rainha, os Jedi e seus aliados tomam o palácio e capturam o vice-rei (que, na real, é só um peão do Sidious).

As portas se abrem e você ouve os metais, quatro notas épicas da trilha de Williams. É hora de Duel of the Fates. Que tomada incrível do Darth Maul parado ali. A tensão sobe. Ele parece maligno, seu visual grita escuridão. O melhor duelo de sabres de luz da história de Star Wars. Temos três batalhas intercaladas — ecos de O Retorno de Jedi — combate espacial, invasão do palácio e duelo pessoal. As apostas são altas, os caças em menor número, Maul é muito forte e a Rainha parece ter falhado. O futuro de Naboo é incerto.

Anakin explode uma nave de dentro pra fora. Amidala assina o tratado. E o final é trágico. Qui-Gon morre. Somos confrontados com a morte. Sim, um Jedi pode morrer, eles não são invencíveis. Será que Anakin ainda acredita que um Jedi não pode morrer?

Nos despedimos de Qui-Gon. Palpatine vira Chanceler. Yoda e Obi-Wan discutem o futuro do Anakin, ele será treinado, mas há perigo. E aí vem a tomada que entrega tudo: close no Palpatine, “Sempre há dois, não mais, não menos. Um mestre e um aprendiz.” Celebração da vitória, como no Episódio IV. Créditos finais.


Considerações

Uau. Que aventura. Sim, tem falhas. Sim, poderia ser melhor. Mas ruim? De jeito nenhum. Tem muita política, mas não é tão chata quanto eu lembrava. Se tem uma coisa que não entendo é por que o Lucas foi tão relutante em mostrar o Anakin usando a Força. Isso teria dado mais camadas ao ceticismo do Conselho Jedi.

Os temas clássicos de Lucas — estruturas políticas, falhas sistêmicas, o colapso da democracia, repressão e busca por poder — estão todos ali. Mas também está a esperança que vive nos cantos mais distantes da galáxia.

Assistir A Ameaça Fantasma de novo, depois de tanto tempo, foi tão divertido quanto eu lembrava. Ele estabelece muita coisa, presta homenagem aos originais. Um conto de fadas com princesas e cavaleiros. Talvez eu goste demais de A Ameaça Fantasma. Talvez eu goste demais de Star Wars. De qualquer forma, que bela introdução a uma galáxia muito, muito distante.

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