A Primeira Guerra no Cinema | Parte 1

Inspirado pela lista “A Corrida Espacial no Cinema” que propõe uma curadoria de produções que retratam os fatos históricos desse momento, decidi preparar uma seleção de filmes e séries que retratam a Primeira Guerra Mundial. Assim como na lista da corrida espacial, apresento as produções na ordem cronológica de suas histórias, na medida do possível. Mantive a ideia de misturar filmes e séries, separando as produções que trabalham na chave do documentário em uma lista específica.

Durante a curadoria pude notar que são poucas as produções de origem estadunidense. Tal fato pode estar relacionado a entrada tardia na guerra e o curto período em que o país de Hollywood esteve envolvido no conflito. Mas isso não significa que as produções relacionadas ao período são escassas. A maioria são de origem européia, a Inglaterra como o maior número de produções, mas foi uma surpresa ver produções australianas e canadenses.

Para começar nosso passeio histórico, vamos ao prelúdio da 1ª Guerra Mundial. Aqui, reuni produções que ilustram alguns acontecimentos que levaram a eclosão do conflito.


St. George Shoots the Dragon (Sveti Georgije ubiva aždahu | Sérvia – 2009)

O primeiro filme da lista é uma produção Sérvia do ano de 2009. A história começa no ano de 1912, durante a Primeira Guerra dos Balcãs, conflito que teve a Sérvia, Montenegro, Grécia e Bulgária contra o Império Otomano. Dois soldados sérvios, George e Gavrilo retornam do front após sobreviverem a um ataque. Os dois são recebidos por Katarina, até então amante de Gravilo, mas as marcas da guerra parecem ter colocado fim esse romance. Gavrilo teve um braço amputado e está fortemente abalado.

A história da um salto de dois anos. Os três moram em uma pequena vila, as márgens do rio sava, na fronteira da Sérvia com o império Áustro-Húngaro. Katarina está casada com George e Gravilo trabalha como contrabandista. Ás vésperas da início da Primeira Guerra, vemos como as políticas expansionistas da Sérvia impactaram a vida dos moradores da vila e como as dinâmicas desse triângulo amoroso se desenvolvem. O filme conclui então com uma batalha durante a invasão austriaca na Sérivia, parte da Campanha Sérvia, que se desenvolveu como parte da Primeira Grande Guerra.

A produção foi criticada por sugerir que os inválidos da guerra dos balcãs foram obrigados a participar das batalhas, fato que nunca foicomprovado. O filme oscila em momentos de tensão e alivios cômicos, mas há uma crescente na carga dramática a medida que a Primeira Guerra eclode. Não acompanhamos como o triângulo amoroso se desenvolveu, ele é apresentado quase que didadicamente. Os conflitos entre as personagens se acabam se diluindo em meio a chegada da guerra e o filme acompanha essa mudança de foco, do triângulo para a guerra. Não que isso seja um problema, afinal, a guerra atravessa

Em linhas gerais, não filme de ação e sim um romance. A contextualização histórica e as cenas de combate funcionam muito bem como prelúdio para esse grande conflito, a destacar a personagem de Gavrilo Princip (chará da personagem principal), que passa quase que despercebido no filme, não fosse o fato de ser o assasino do arquiduque austríaco Francisco Fernando.


Sarajevo (Áustria – 2014)

A produção austríaca retrata os acontecimentos seguintes ao assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand e de sua esposa na cidade de Sarajevo. A cidade ficava em território bósnio ocupado pelas forças Austríacas. Leo Pfiffer um investigador do governo austríaco em Sarajevo, de descendência húngara e judia, é designado para interrogar os assassinos.

De início, as suspeitas apontam que os assassinos agiram com apoio da Sérvia, com o objetivo de reanexar o território bósnio. Com o passar das investigações, Pfiffet descobre que os jovens faziam parte grupo nacionalista local sem vínculos com o governo sérvio. A investigação toma um rumo perigoso quando o detetive percebe que os assassinos foram apenas peões em um plano maior, envolvendo empresários e militares e que a Alemanha esteve por trás da tragédia.

O filme está disponível na Netflix.


37 days (Reino Unido – 2014)

Produzida pela BBC, a minissérie 37 days acompanha a série de desacordos e acordos dipomáticos que seguiram o assassinato de Franz Ferdinand até o início do conflito. A série é narrada por dois oficiais, um britânico e o outro alemão, que trabalham nos gabinetes de relações internacionais dos respectivos países.

Os 3 episódios da produção dão acesso aos bastidores políticos da Europa e como tema central estão as tentativas de Edward Grey, o ministro de relações internacionais da Inglaterra, de solucionar o conflito por meios diplomáticos. O ministro é interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Ian McDiramid, o imperador palpatine da saga Star Wars. As tramas políticas, conversas e reuniões são apresentadas de maneira didática, ficando fácil compreender as alianças que configuraram os dois lados da guerra. Ha um senso de urgência, que se intensifica com a progressão da narrativa, ou seja, a medida que a contagem regressiva de 37 dias se aproxima de 0.

Com atuações excelentes e uma produção de arte impecável, 37 days é bem sucedida ao questionar a inevitabilidade do conflito e ao contrastar aqueles que consideram ou não a vida daqueles que irão para os campos de batalha.


A Primeira Guerra no Cinema

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