O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos – Carta ao Seu PJ

Belo Horizonte, 08/01/15

Caro Sr. Peter Jackson,

Como um grande fã do trabalho feito na hexalogia da Terra-Média, sinto-me no direito de escrevê-lo para fazer algumas considerações sobre a trilogia O Hobbit. Antes de iniciar gostaria de pedir-lhe um favor, antes de descartar esta carta peço-lhe que a picote, visto que um curioso desavisado pode ler spoilers o que seria bem desagradável, não é mesmo?

Inicio dizendo que tomarei para as minhas considerações os filmes como base evitando ao máximo compará-los com o livro, uma vez que entendo (ou pelo menos tenho a impressão de) que se trata de uma adaptação de uma obra infantil em um universo um tanto quanto sério (como diria o Rei dos Escritores, Affonso Solano, no MRG Show 72), portanto seria até difícil não se distanciar, ainda que um pouco, da obra original. Bom, minha primeira consideração não podia estar relacionada à outra coisa senão a atuação do Martin Freeman, de modo que me permito sintetizá-la na seguinte frase “Ele foi um Hobbit perfeito”. Aproveitando o tópico, que bela sintonia entre o Freeman e o Armitage, não? Ouso dizer que eles até facilitaram, um pouco, o seu trabalho!

Bom, como estou escrevendo para você Sr. PJ, tratarei das partes que lhe dizem respeito. A utilização do Cenário é muito bem feita, em especial nas batalhas. Na luta isolada Dwalin e Thorin vs Orcs Mercenários, essa interação dos personagens com o ambiente é primorosa. Da mesma maneira que no embate Azog vs Thorin a sacada do “king beneath the mountain” quanto a não-necessidade de uma arma para “derrotar” o seu oponente e de se aplaudir de pé. Tão legal quanto toda a disputa final (que até onde me lembro nós não acompanhamos no livro), na qual para finalmente vencer o seu inimigo é necessário o seu próprio sacrifício (aposto que nessa hora ele sentiu falta do Mithril que deu para o Bilbo)! Voltando um pouco para os outros filmes, tenho que confessar, a cena das “Charadas no Escuro” foi demais, sério! Foi muito além de quaisquer expectativas.

Rumando de volta para O Hobbit: a batalha dos cinco exércitos, gostaria de fazer algumas considerações sobre alguns personagens (e algumas cenas também). Vamos lá:

  • Azog e Bolg – São personagens excelentes, inteligentes (diferentes da grande massa orc) e nos mostram, ainda nos dois primeiros filmes, que o Smaug não era o maior dos problemas que os protagonistas viriam a enfrentar.
  • Beorn – Aqui o Sr. “deu mole” hein Seu PJ? O personagem foi muito pouco explorado, logo ele que tem tanto potencial (sei que já é a segunda vez que tomo por base o livro, mas aqui não poderei deixar passar) e com tanta importância para história não poderia ser simplesmente arremessado em um campo de batalha de um Enola Gay Eagle como uma Little Boy (Tô esperando mais Beorn na versão estendida hein?!)
  • Dain – Falando em mais aparições na versão estendida… Seu PJ, como que o senhor me faz uma coisa dessas? O melhor personagem do filme é pouco explorado, assim como os demais anões! Tudo bem que ainda sim foram mais desenvolvidos do que em qualquer outro dos filmes da Saga do Anel e FINALMENTE não tiveram as suas aparições reduzidas ao “papel” de alívio cômico, mas convenhamos, nós merecemos mais Dain Pé-de-Ferro na versão estendida.
  • Glóin – Seu PJ, confesso que esperava ver mais do Glóin nesses filmes, visto que o Gimli foi tão importante para a trilogia LOTR. Também estou esperando mais dele na versão estendida!
  • Thranduil e o seu exército – aqui eu me limito a deixar os “sons” dos meus aplausos de pé, foi DEMAIS!! – “CLAP, CLAP, CLAP… CLAP”
  • Galadriel e o Conselho Branco – a batalha foi espetacular, o Saruman e o Lorde Elrond lutando foi de explodir a cabeça. E a Galadriel, reprimindo o Sauron foi FODÁSTICO “you have no power here, you are nameless, faceless, formless, …”, foi a responsável pela melhor cena, na minha humilde opinião, desta nova trilogia. Cena essa que não se restringiu “somente” a batalha, mas elucidou alguns fatos como os Nazgûl com uma aparência melhor do que a que apresentam no LOTR, o que dá a entender que a batalha do conselho branco de fato os detonou. Esta cena também deixa claro o porque do Sauron ter passado tanto tempo “sem ninguém perseguí-lo”, de modo que ao longo da hexologia a história ficou bem amarrada. Parabéns Seu PJ.
  • Thorin – Do Thorin há muito do que falar, mas eu gostaria de levantar apenas a sequência em que ele se livra da Doença do Dragão após passar por uma série de devaneios. Essa sequência foi animal!

É Seu PJ…, apesar de muito bom o filme do senhor teve mais alguns probleminhas, além dos que eu já citei anteriormente. Os que mais me incomodaram são os seguintes: Transição do Tempo (Parece que a aventura inteira se passa num intervalo de tempo muito curto, o que o senhor, que assim como eu leu o livro (juro que é a última referência J) sabe que não é bem assim, não é mesmo?! (Apesar de no retorno ao Condado ficar claro que o Bilbo passou mais de um ano fora, essa noção só surge nos últimos minutos do último filme, o que deve ter deixado muita gente perdida.). Outro “probleminha” deste último filme foi a indefinição quanto a situação que se passa na montanha, afinal de contas, o Dragão morreu, o Rei morreu, a linhagem de Durin acabou, tem um tanto de gente querendo tesouro, e aí?! Não dá para simplesmente encerrar o filme né Seu PJ, pisou na bola hein?! Mas sendo bem sincero com o senhor, todos esses probleminhas são deglutíveis, mas tem um, UM PROBLEMÃO que eu não engulo Seu PJ, que é a P*rra daquele beijo da Tauriel no mini-cadáver do Kili. Para começar, Elfo odeia Anão, Anão odeia Elfo e acabou! Por isso que a amizade do Gimli com o Legolas é tão especial e esse relacionamento Tauriel-Kili tirou toda a singularidade que havia na amizade daqueles dois. No entanto, romântico que sou (ou pelo menos que considero ser), passei a aceitar, e até a gostar do amor platônico vivido pelos dois. No entanto Seu PJ, aquela maldita cena de beijo no cadáver desfaz toda a mágica que havia sido tecida pelo amor impossível dos dois, de modo que perdeu-se a singularidade da amizade Legolas-Gimli e a mágica do amor Tauriel-Kili.

Caso o senhor ainda esteja lendo esta carta eu lhe digo que apesar de todos os problemas que citei o saldo final da trilogia Hobbit é super positivo. A trilha Sonora foi muito boa, fazendo jus à da trilogia do Anel, menos poderosa, mas ainda sim com traços que evidenciam a genialidade do Howard Shore. Misty Mountains cantada pelos Anões foi fucking foda. I see fire (Ed Sheeran).

Por fim Seu PJ, tenho que lhe confessar o final correlacionado com o inicio da Sociedade do Anel foi muito bom, em especial por ser visto de um ângulo diferente e me fez, ao final do filme, ir para casa e assistir a trilogia do Anel, pois o Sr, meu caro PJ, apesar de ter trazido mais algumas horas do universo Tolkeniano nos deixou com ainda mais saudade dos hobbits, elfos, anões; do Condado, de Rivendell, Moria e de toda a terra-média, até de Mordor e Isengard. O Sr. foi um ótimo e apaixonado guia que nos ajudou a caminhar por toda a Terra-Média e universo tolkeniano. Já fomos lá por 6 vezes, e anseio pelo momento em que iremos de volta outra vez.

Atenciosamente,

Um grande fã!

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